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Com perdas de até R$ 200 mil, mais de 200 dentistas denunciam empresário e cobram devolução de dinheiro na Justiça

A suspensão do concurso se aplica exclusivamente para dentista e auxiliar de dentista. Pixabay/Reprodução Dentistas e cirurgiões-dentistas de diferentes partes...

Com perdas de até R$ 200 mil, mais de 200 dentistas denunciam empresário e cobram devolução de dinheiro na Justiça
Com perdas de até R$ 200 mil, mais de 200 dentistas denunciam empresário e cobram devolução de dinheiro na Justiça (Foto: Reprodução)


A suspensão do concurso se aplica exclusivamente para dentista e auxiliar de dentista. Pixabay/Reprodução Dentistas e cirurgiões-dentistas de diferentes partes do Brasil, incluindo profissionais da Baixada Santista, alegam ter sofrido prejuízos após contratar serviços de consultoria e realizar investimentos oferecidos por um empresário paulista. Ao menos 207 profissionais já recorreram à Justiça. Conforme apurado pela equipe de reportagem, os valores perdidos variam de R$ 30 mil a pelo menos R$ 200 mil por profissional. Do total de dentistas que já acionaram o Poder Judiciário, 150 buscam medidas nas áreas cível e criminal e 57 ingressaram com uma ação para tentar recuperar os valores. Os dentistas relatam ter tentado recuperar os valores investidos, sem sucesso. Segundo eles, o empresário teria “sumido” e deixado de responder aos contatos. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A equipe de reportagem constatou que há pelo menos dois processos cíveis e outro criminal relacionados ao caso. Além disso, os sites das empresas ligadas ao empresário não estão mais funcionando e há dezenas de queixas sobre o caso no Reclame Aqui. Os profissionais ouvidos solicitaram anonimato. Agora no g1 Vítimas Uma dentista de São Paulo afirma ter perdido cerca de R$ 200 mil entre ações e debêntures — títulos de dívida que geram direito de crédito ao investidor. Ela conta que o empresário oferecia aulas on-line e presenciais e apresentava uma metodologia de gestão voltada à estruturação dos consultórios. No primeiro evento presencial de que participou, foram oferecidas ações. A dentista comprou ações e debêntures. Segundo ela, havia uma regra de que, caso deixasse o grupo, poderia vender sua participação a outro integrante ou ao próprio empresário. Ela afirma que isso não ocorreu e que também não recebeu os valores das debêntures. Acadêmico de odontologia é autuado por exercer ilegalmente a profissão de dentista em Macapá Reprodução/Internet “Eu, como milhares de dentistas, tenho uma formação muito técnica. Abrimos consultório, mas não entendemos nada de empresa. Acabamos trabalhando muito, mas sem retorno financeiro”. Uma dentista de Bertioga diz ter perdido R$ 100 mil. Ela conheceu o trabalho do empresário em 2021, por meio de aulas pela internet, e diz que, inicialmente, a experiência foi positiva. Com o passar dos anos, no entanto, grupos de contato entre os profissionais foram encerrados. Depois, começaram a ser oferecidas ações e debêntures. Uma amiga da dentista, que também havia investido, lutava contra um câncer e pediu a devolução do dinheiro. Como o empresário teria informado que as ações poderiam ser recompradas a qualquer momento, ela fez o pedido, mas não teria sido atendida. A amiga, então, entrou na Justiça e conseguiu receber. Depois disso, a dentista afirma ter encontrado outros relatos semelhantes. “Eu e muita gente começamos a perceber. Fomos conversando uns com os outros e perdemos o dinheiro”. Um dentista de Santos afirma ter perdido R$ 60 mil. Segundo ele, o empresário criou uma empresa de assessoria para dentistas e clínicas, com a proposta de transformar consultórios em clínicas, aumentar a lucratividade e melhorar a administração. Posteriormente, ainda de acordo com o relato, o empresário teria divulgado uma oferta de ações da empresa, com previsão de futura listagem na Bolsa de Valores. “Ele começou a vender um número bem grande de ações para os dentistas. Havia valores de R$ 60 mil por ação. Teve gente que comprou R$ 120 mil, gente que passou de R$ 240 mil”. Depois, também teriam sido oferecidas debêntures para financiar a empresa. Com o tempo, investidores passaram a pedir o dinheiro de volta e a tentar vender suas ações. “Nesse momento, ele começou a sumir. Já não respondia, não devolvia as ligações. A secretária ligava e falava que ia verificar. E assim foi até que ele deu uma sumida”. Outra dentista de São Paulo afirma considerar toda a situação um suposto golpe envolvendo consultoria empresarial e ações. No caso dela, o contato começou em um evento na Capital, apresentado como uma imersão sobre gestão de consultórios. “Esse evento foi muito bom, só que foi uma lavagem cerebral na gente. Foi um golpe muito bem dado. Ele tem muita lábia”. Ela afirma ter pago mais de R$ 70 mil por uma participação em ações. Depois, ela e a então sócia contrataram um planejamento estratégico por R$ 98 mil. Segundo a dentista, ela pediu o cancelamento dentro do prazo previsto no contrato, mas não recebeu o dinheiro de volta. Advogados O advogado Jonny Paulo da Silva, que representa 57 dentistas que entraram com a ação cível, afirma acompanhar o processo que pede o encerramento parcial das atividades da empresa e a devolução dos valores aos investidores. Segundo Silva, o caso envolve a captação de recursos de profissionais da área mediante a promessa de serviços para melhorar a gestão. Ele afirma que, sete anos após a oferta das ações preferenciais ao público, os projetos e resultados prometidos não teriam sido entregues e não teriam sido distribuídos lucros aos acionistas. O advogado Lucas Elias Mota, que representa outro grupo de vítimas nas áreas cível e criminal, afirma que 150 profissionais já procuraram o escritório relatando prejuízos em relações comerciais e de consumo envolvendo a empresa, outras companhias relacionadas ao grupo e o empresário. O advogado afirma ter entrado com ações para cancelar contratos, buscar a devolução de valores, pedir indenizações e suspender cobranças consideradas indevidas. Os fatos também foram apresentados à polícia para investigação de possíveis irregularidades. De acordo com Mota, a partir de 2022, o empresário teria promovido eventos para cirurgiões-dentistas, nos quais eram apresentados supostos resultados de crescimento e faturamento. Os profissionais eram estimulados a contratar serviços de consultoria e mentoria e, em determinados casos, a realizar investimentos. A partir de 2025, parte dos clientes passou a relatar a interrupção dos serviços, dificuldade de contato e falta de resposta a pedidos de cancelamento e devolução. Também há relatos de tentativas frustradas de retirar recursos, vender ações ou receber valores das debêntures. Investigação e posicionamento O caso é investigado pelo 96º Distrito Policial (DP) de São Paulo. A equipe de reportagem fez contato com a unidade, mas não obteve retorno. A reportagem também tentou contato com o empresário por diversos meios, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação. VÍDEOS: Tudo sobre Santos e Região

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